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Brasil ganha posição estratégica no mercado global de cacau

Com queda nas projeções de produção da Costa do Marfim e de Gana, o Brasil aumenta sua produção de cacau e pode aproveitar uma janela importante no mercado internacional

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O mercado mundial de cacau voltou a acender o sinal de alerta. Depois de anos marcados por problemas climáticos, doenças nas lavouras e preços elevados, as perspectivas para a safra 2026/27 mostram que a oferta global ainda pode enfrentar dificuldades.

Desta vez, os olhos estão novamente voltados para a África Ocidental. Costa do Marfim e Gana, responsáveis por uma parcela significativa do cacau produzido no mundo, podem colher menos diante dos impactos das condições climáticas e dos problemas enfrentados pelas lavouras.

Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, o cenário brasileiro segue uma direção diferente. A produção nacional de cacau está crescendo e o país começa a ocupar uma posição especialmente interessante em um mercado que busca novas fontes de fornecimento.

Mas será que o Brasil pode transformar esse momento em uma oportunidade para o cacau nacional? Continue a leitura para entender.

Por que a oferta mundial de cacau voltou a preocupar?

Para entender o momento atual, primeiro precisamos olhar para a África Ocidental.

A Costa do Marfim é o maior produtor mundial de cacau e, ao lado de Gana, exerce enorme influência sobre a disponibilidade do produto no mercado internacional. Portanto, qualquer problema nas lavouras desses países pode afetar diretamente o equilíbrio entre oferta e demanda.

E é justamente isso que está acontecendo.

Segundo projeções da StoneX divulgadas pela Forbes Agro, a produção da Costa do Marfim pode recuar 11% na safra 2026/27, enquanto Gana pode registrar uma redução de aproximadamente 10%.

Entre os fatores de preocupação estão as condições climáticas provocadas pelo El Niño e os problemas fitossanitários que já vêm afetando as plantações da região.

O fenômeno climático merece atenção especial. De acordo com informações divulgadas pela Forbes, os episódios fortes de El Niño registrados nas últimas décadas estiveram associados a quedas na produção mundial de cacau.

Quando países que concentram uma fatia tão grande da oferta global enfrentam perdas simultâneas, o efeito se espalha rapidamente por toda a cadeia.

Imagem plantação-de-cacau

O que acontece com o mercado quando falta cacau?

O cacau é negociado internacionalmente como uma commodity. Isso significa que seu preço é influenciado, entre outros fatores, pela quantidade disponível e pela expectativa sobre as próximas safras.

Se a produção cai enquanto a procura permanece elevada, o mercado tende a ficar mais apertado.

A StoneX projeta justamente uma redução do excedente global de cacau em 2026/27 diante da perspectiva de safras menores na África Ocidental.

Na prática, menos cacau disponível pode significar maior disputa pela matéria-prima entre fabricantes, processadores e compradores internacionais.

E é aqui que o Brasil começa a chamar atenção.

Como está a produção de cacau no Brasil em 2026?

Enquanto as perspectivas africanas se deterioram, os números brasileiros mostram uma recuperação importante.

De acordo com o IBGE, a estimativa de junho aponta para uma produção de 321 mil toneladas de cacau no Brasil em 2026.

O volume representa um crescimento de 8,9% em comparação com 2025. O rendimento médio esperado também avançou, chegando a 499 quilos por hectare, diante de 458 quilos por hectare registrados na safra anterior.

O Pará continua tendo papel fundamental nesse resultado, respondendo por aproximadamente 49,4% da produção brasileira estimada.

Os números ajudam a mostrar que, embora o Brasil ainda esteja distante do volume dos gigantes africanos, o movimento atual é positivo justamente em um momento de maior incerteza internacional.

Imagem pé-de-cacau

Por que o Brasil pode ganhar espaço no mercado mundial de cacau?

Ter mais cacau disponível é apenas parte da oportunidade.

O Brasil reúne características que podem tornar sua produção especialmente interessante para compradores internacionais. O país possui regiões produtoras consolidadas, diversidade de sistemas de cultivo e uma cadeia que vem avançando em rastreabilidade, sustentabilidade e qualidade das amêndoas.

Nos últimos anos, o cacau brasileiro também passou a ganhar reconhecimento não apenas pelo volume produzido, mas por atributos de sabor, origem e qualidade.

Já falamos aqui no Tudo Sobre Cacau sobre como o cacau brasileiro vem sendo visto no exterior. Esse movimento é importante porque permite ao país disputar mercados que valorizam muito mais do que simplesmente a disponibilidade da matéria-prima.

Além disso, iniciativas recentes demonstram interesse em ampliar a presença brasileira fora do país.

Em junho de 2026, por exemplo, 15 empresas brasileiras participaram de uma ação promovida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo Ministério das Relações Exteriores na Argentina, com foco na divulgação de chocolates e derivados de cacau de maior valor agregado.

Ou seja, a oportunidade não está apenas em exportar mais amêndoas, mas em agregar valor à cadeia.

O Brasil pode substituir Costa do Marfim e Gana?

Não de uma hora para outra.

A diferença de escala ainda é significativa, e Costa do Marfim e Gana continuarão sendo peças fundamentais na produção mundial.

Mas o cenário atual reforça algo importante: compradores e indústrias precisam reduzir sua vulnerabilidade à concentração da produção em poucas regiões.

Nesse contexto, países que conseguirem aumentar a oferta com regularidade, qualidade e rastreabilidade podem ganhar relevância.

Para o Brasil, isso significa oportunidade para ampliar produção, melhorar produtividade, investir no pós-colheita e fortalecer a presença comercial do cacau brasileiro no exterior.

Também é preciso observar que o próprio El Niño pode afetar diferentes culturas e regiões brasileiras. Portanto, crescimento de produção não elimina os riscos climáticos. A vantagem está em aproveitar o atual momento para construir uma cadeia mais produtiva e preparada para lidar com essas oscilações.

Uma janela de oportunidade para o cacau brasileiro

O mercado internacional de cacau está passando por mais um momento de transformação.

De um lado, os maiores produtores mundiais enfrentam incertezas climáticas e produtivas. Do outro, o Brasil projeta uma safra maior e vem construindo uma reputação ligada não somente à produção, mas também à qualidade e à origem de seu cacau.

Isso não significa que o país assumirá rapidamente o espaço da África Ocidental. Significa, porém, que existe uma oportunidade real para aumentar sua participação no mercado global.

Para aproveitá-la, será necessário continuar investindo em produtividade, tecnologia, qualidade das amêndoas, rastreabilidade, sustentabilidade e produtos de maior valor agregado.

Se esse movimento ganhar escala, o cacau brasileiro poderá ocupar um espaço cada vez mais estratégico no mundo.

Gostou de entender esse cenário? Compartilhe este conteúdo com quem acompanha o mercado do cacau e aproveite para ler também nosso artigo sobre como o cacau brasileiro é visto no mundo.

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